terça-feira, 30 de junho de 2009

TODOS OS GESTOS


Parece que foi ontem que a menina se tornou mãe aos seus dezessete anos. Com toda a força e rejeição ela ainda traria ao mundo aquele menino vermelho e branco. Mal sabia que o mais difícil não seria o nascer, mas sim o viver daquela criança não indefesa. No primeiro momento foi festa, presentes e carinhos. Todos queriam tocá-lo. Contudo o tempo passa e as coisas caem no esquecimento. A jovem mãe não sabia das crises, dos vícios e fins que passaria no ganha-pão da criança. Sendo fraca pensou em desistir, sendo sozinha sentiu-se abandonada e sendo só minha viveu pelo crescimento de seu ventre agora vazio. Hoje a criança corre pelos campos secos desse sem fim, enquanto a mulher segura a sua mão para proteger e guiar o seu ser ao infinito poético.

(Camila de Magalhães)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

E(N)STRADA

Neste vai
E vem
Encontro-te
No meu
Sem.

Guardando-te
Vozes sãs
Com vencidas

À dor
Irmã.

Enquanto
Da estrada
Espero
A vida do
Nada.

Querendo-te
A mim
Pelas linhas
Amarelas
Do fim.

(Camila de Magalhães)


Foto: Caio Amorim

EXCRE(SCI)MENTOS

Do ontem arrasto correntes do que ainda habita em mim. São fatos pesados que ferem meus braços de tinta vinho preto. Esses mancham as minhas idéias já formadas de crescimento por uma busca de paz e guerra onde encontraria o desejo. No meu nirvana não a um fim de tempos contando em livros, mas um momento onde eu possa viver sem vegetar na minha poesia morta.

(Camila de Magalhães)