domingo, 4 de maio de 2008

500 anos sem Brasil I

Nosso clima era de um branco
Tão vivo brilho e presente.
Refletia nos olhos um verde-amarelo
Ainda nato que existia nas palmeiras.

Mas as cores se misturaram
Com a chegada dos outros.
O verde não era mais o mesmo
Nem o amarelo mais nosso
Quando o vermelho se fez mais vivo.

Picharam nosso tupi de preto
E nos plantaram um europeu amargo
De uns tons diferentes de verde.
Na tentativa de manchar nosso branco de vermelho

Então nos vimos mais lusos,
Colonizados numa terra agora pálida
Nos escritos da nossa história.
Hoje aguardamos outros portugueses
Que se dizem americanos como nós
A fim de roubar o verde que nos resta.

Por isso gritamos de modo brado e retumbante:
- Quando sentiremos novamente o sabor das nossas cores tupis?

Camila de Magalhães e
Rafael João(http://palavraemextase.blogspot.com/)

Todos os Versos

É sempre bom lembrar Drummond e as faces ocultas das palavras, todas elas escondidas sob a face neutra. Quem se propõem a desvendar o universo das palavras encara paradoxalmente o claro enigma que é o ato de escrever. Assim faz Camila ao juntar Todos, na verdade os primeiros de uma longa vida, os Versos.
O que esperar dessa menina? Será este o primeiro passo no labirinto da poesia? Será esta a futura representante de uma geração de novos poetas? As respostas são dadas pelo tempo, mas há uma enorme certeza que repousa em nosso olhar: Camila de Magalhães escreve. E o faz com toda força do seu ser. Portanto nada mais justo do que ler com toda a força, a mesma força, a ideal força das palavras.

Tainan Costa