quinta-feira, 2 de julho de 2009

PÔR-DOS-SEUS

Íris
De calor
Reveste
Castanho azul
Dos seus meus

Círculo
Da tua cor
Remexe
Corante nu
Dos meus seus

Seus
Cílios de sol
Transcenderam
Meus
Raios oculares
Para
O verão
No frio inverno

(Camila de Magalhães)



Foto: Caio Amorim

terça-feira, 30 de junho de 2009

TODOS OS GESTOS


Parece que foi ontem que a menina se tornou mãe aos seus dezessete anos. Com toda a força e rejeição ela ainda traria ao mundo aquele menino vermelho e branco. Mal sabia que o mais difícil não seria o nascer, mas sim o viver daquela criança não indefesa. No primeiro momento foi festa, presentes e carinhos. Todos queriam tocá-lo. Contudo o tempo passa e as coisas caem no esquecimento. A jovem mãe não sabia das crises, dos vícios e fins que passaria no ganha-pão da criança. Sendo fraca pensou em desistir, sendo sozinha sentiu-se abandonada e sendo só minha viveu pelo crescimento de seu ventre agora vazio. Hoje a criança corre pelos campos secos desse sem fim, enquanto a mulher segura a sua mão para proteger e guiar o seu ser ao infinito poético.

(Camila de Magalhães)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

E(N)STRADA

Neste vai
E vem
Encontro-te
No meu
Sem.

Guardando-te
Vozes sãs
Com vencidas

À dor
Irmã.

Enquanto
Da estrada
Espero
A vida do
Nada.

Querendo-te
A mim
Pelas linhas
Amarelas
Do fim.

(Camila de Magalhães)


Foto: Caio Amorim

EXCRE(SCI)MENTOS

Do ontem arrasto correntes do que ainda habita em mim. São fatos pesados que ferem meus braços de tinta vinho preto. Esses mancham as minhas idéias já formadas de crescimento por uma busca de paz e guerra onde encontraria o desejo. No meu nirvana não a um fim de tempos contando em livros, mas um momento onde eu possa viver sem vegetar na minha poesia morta.

(Camila de Magalhães)


terça-feira, 5 de maio de 2009

ASFALTO

Pela Avenida
Ando a procura do sem destino
Com a Praia mais seca de sol.

À igual incerteza parto para o NÃO
Por nunca suportar um final
Simples como outro qualquer...

(Camila de Magalhães)

domingo, 19 de abril de 2009

CÁPSULA


Não cabes no muito
Deste pouco mundo
Que define não te pertence.
És mais quase infinito
De quem vive telepoetia
A que te define.


Não cabes nas linhas
Deste papel luz
Que não te absorve.
É mais todo entrelado
De quem reflete imagem
A que te limita.


Não cabes no sono-ro
Desta música calada
Que não te ritmida.
És mais voz vibração
De quem corda sabor
A que te encanta.


Não cabes no passado
Deste futuro desejo
Que não te (a)presenta.
És viva de agora
Mas lida na pequenez
De crescer mulher.


(Camila de Magalhães)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

ESTRAVIADA



Deixo para atrás
Todos esses móveis
Manchados
Do carmim seco
Que ainda habita
A casa vazia
Da minha alma


Levo para o mais
Todas essas garrafas
Esvaziadas
Da sede descontrolada
Que ainda habita
O papel riscado
De caneta vermelha


Parto para o sim
Dos nãos que recusei
Repleta
Da coragem adquerida
Que é força do ser,
Casa riscada,
Do meu futuro


(Camila de Magalhães)

sábado, 22 de novembro de 2008

Tu-rismo Vertical

Tu pisavas em astros da janela
Em surreal busca do infinito.
Tu andavas cortando os cacos de vidro
Por um final desenhado de amarela.

O reluz que exploravas com ela
Tu congelavas em fatos e mitos.
Enquanto passava o tempo restrito
Em que desejavas o sabor de canela.

Tu pisavas em astros da janela:
No infinito de vidro;
Restrito de mitos;
Em busca da estrada onde sela.

Camila de Magalhães


Foto: Caio Amorim

sábado, 1 de novembro de 2008

NaturMesa

Natureza
[Ver(de)melhada]
Descolore o mundo
[Vivo-Morto]
Ao seu redor.

Naturmesa
[(Des)entegrada]
Transformando o tudo
[Preto-Branco]
Em um só.

Altereza
[(Deus)entegrada]
Industrializa o espaço
[Rubro-Preto]
Fusão em nó.

Nadareza
[(Des)figurada]
Vazializa o mundo
[Morto-Vivo]
Vácuo dó.

Camila de Magalhães


Foto: Caio Amorim

Contra(o)tempo


Mundo
Imundo de nós,
Trabalhadores de vida,
Metabolizamos o agora.

Agora
A hora dos sóis,
Fatos de conquistas,
Queimados no tempo.

Tempo
Vento do rosto,
Sentido da pele,
Toque do infinito.

Infinito
Mito de homem,
Aliviador,
Eternidade de vida.

Vida
Corrida passagem de nós,
Trabalhadores abstratos,
Buscamos um lugar ao sol.

Camila de Magalhães


Foto: Caio Amorim

Futuro do Pretérito

Caminhos entreabertos
Levam-me às ruínas
De vistas não minhas.

Lugares pretéritos
Transformam o vácuo
Do ser ainda meu.

Na vida aporética,
Que um dia recebi,
Atravesso essas portas,
Vazias dos seus olhos,
Que existiram em matéria
De outro tempo.

Camila de Magalhães


Foto: Caio Amorim

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Olhos Castanhos

Os olhos daquela mulher eram ternos, a mais sutil alegria que existia em um olhar feminino e materno. Seus olhos castanhos eram muito mais que entradas, e sim saídas de toda pureza de um ser. Sua íris, um arco-íris de cor refletido no espelho de uma vida de conquistas. Antes de ontem tudo era primavera em pleno inverno. Mas um feixe vermelho cortou sua ilusão. Muito mais que luz, a personalidade caqui quebrou sua imagem com cheiro de vodcka. A própria vermelha que recebia seus melhores sorrisos olhados. Ela virou assassina e matou toda a fantasia que havia naquele olhar feminino. Esse que hoje é vazio, a mais dureza de quem perdeu o sentido de acreditar. Os olhos castanhos mais bonitos que um dia destruí.

Camila de Magalhães

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Contra(o)tempo


Começo a morrer de você. Seus braços se distanciam cada vez mais do meu abraço. E o mais estranho, também interessante, é que eu já não sinto a dor de lhe ver saindo afora. Como o cansaço da falta envolveu a minha mente seca o tempo levou o seu sorriso torto a se cristalizar, desbotar. Conforme todo o existente mais um ciclo anil se fecha deixando no ar as marcas dos desejos que nunca serão saciados, (des)figurados à arte de poeticar o nosso fim.

Camila de Magalhães

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Verdades Opostas

Às vezes a vida propõe caminhos concretos de opções paradoxas. E a melhor estrada a seguir é contra os próprios princípios e conceitos. Mas os humanos que se contentam em serem cuidados indicam a escolha da pseudo-alegria como fonte de sorrisos. Talvez eles estejam certos. Como também esse pode ser o motivo de eu continuar sozinha nesse mundo paralelo. Todavia ainda existe poesia demais em mim para aceitar essas condições sutis. Por isso insisto em viver essa surreal mentira fantasiada desses versos vad(z)ios.

Camila de Magalhães