domingo, 5 de outubro de 2008

Vácuo Paradoxo

Quando a mente está vazia o corpo apenas recebe estímulos sensoriais. E a dor é somente ardor de fogo na tristeza do vento frio do ar. Quando nos ouvidos “eles” estão calados tudo vira solidão do que era paralelo. E a menina se torna estática de movimentos que não eram seus. Quando as mãos perdem a prática de viver o papel vira mente vazia de ouvidos surdos. E os versos, seus processos de energia, viram vácuo apoético de quem perdeu a chave de criar.

Camila de Magalhães

Máscara Perdida


Maquiagem vermelha recobre meu ser. O lado de fora é paradoxo à desforça interna. O mundo velho está no lugar comum. Não mais existe branco. Momentos mancharam a cor das maçãs do meu rosto de lágrimas salgadas. Descobriram a minha máscara perfeita. Estou nua na frente do meu público de cadeiras vazias. As tatuagens que fiz estão perdendo a cor e preenchendo lugares não-meus. Já não ouço o batuque musical de quem não existe. O Drummond que um dia projetei não aparece nas entrelinhas do meu abraço. E o reinado dos meus muros não vêem o meu crescer apesar da minha carapaça sofrer esgarçamento. O mundo é o nada que sempre foi. E eu, apoética, sou peça que não se encaixa em sua natureza já queimada.

Camila de Magalhães

domingo, 24 de agosto de 2008

Movimento incerto

O vento varre
vadios versos seus
Para cantadas casa
carregadas de cada meus.
Onde salas secretas,
silenciosas e sinceras, breu
Há eras erradas
existência encantada, eu.


Camila de Magalhães

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Pai

Pai,
Sabedoria de ais,
Que justifica
Admiração.

Pai,
Amor eterno do mais,
Que engrandifica
Imensidão.

Pai,
Lugar do meu cais,
Que mistifica
Confortação.

Pai,
Musicalidade dos meus lás,
Que significa
Coração.

Camila de Magalhães

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Alagoana I

Meus versos são de calor
Veredas marcadas
No grande solo
Da lagoa terra

Camila de Magalhães

Alagona II

Minhas rimas são de amor
Francisco Rio
Na liberdade
Da força água

Camila de Magalhães

Alagoana III

Minha métrica tem cor
Ilha da Crôa
Na natividade
Do vermelho cru

Camila de Magalhães

Alagoana IV

Meu eco é de dor
Faculdade Praça
Nos fogos e tiros
De lutas e vitórias

Camila de Magalhães

Alagoana V

Meu ritmo é sem pudor
Luz de Lambião
Na Bonita Maria
Daquela história

Camila de Magalhães

Alagoana VI

Minha poesia alagou
As terras firmes
Onde mora
Meu viver

Camila de Magalhães

domingo, 27 de julho de 2008

Poesia e Verso

Sobre a indiferença alcoólica
Insiste em deitar-se
Sobre o verso vadio.
Desmetrificado, branco, frio
Sem respeito, nem pudor.

A poesia mulher grita
A sensação de prazer amarga
Que reveste a realidade,
Metrifica e rima rica
Ao soneto de amor.

Mas os dois entrelaçados
Amam a cama papel-madeira
Por um fato sem sentido.
Algo vácuo de momento
Que uniu todo o espaço
Pelo tempo de escritor.


Camila de Magalhães e Pedaço de Rafael João

Ardente frescor

Ao sentir o cheiro forte
Desta água transparente
E suja
Sinto prazer e agonia
Memórias e esquecimento
De horas.

O leito incolor é quente
Deixa meu olhos vermelhos
De dor.
A paternidade vira nada
Com palavras queimadas
De atitudes frias,
Fim de amor.

O líquido vívido é erro,
Deixa minha mente intensa
De cor.
A tristeza viva nata
De falsas esperanças,
Ardente frescor.

A ardente é cobra
Que engloba fraquezas
De gente como eu,
Vazia.

Camila de Magalhães

domingo, 20 de julho de 2008

Ré-volta ao início


De alma vazia
De versos vadios
Sigo o caminho
Dos covardes.

O caminho que quem ver,
Quem ouve e fala.
Mas não toca.

Escolha obrigada
À luz dos meus sóis
Que iluminaram
Meu nada,
Infinito.

Camila de Magalhães

Oração principal

Eu Te peço só perdão.
Pois já não mais sou forte, meu Deus!
Minhas palavras são quebradiças
E metáforas, egoístas.
À poesia vermelha de pecados.

Minhas preces são para a dor,
Que destrói o meu por dentro.
Espero que a mesma saia aos poucos
Nesses versos covardes de nada.
Para eu poder apenas dormir
O sono que não me chega nunca,
Sem pesadelos nem lembranças.
A paz.

Camila de Magalhães