
(Camila de Magalhães)

Do ontem arrasto correntes do que ainda habita em mim. São fatos pesados que ferem meus braços de tinta vinho preto. Esses mancham as minhas idéias já formadas de crescimento por uma busca de paz e guerra onde encontraria o desejo. No meu nirvana não a um fim de tempos contando em livros, mas um momento onde eu possa viver sem vegetar na minha poesia morta.

Tu pisavas em astros da janela
Em surreal busca do infinito.
Tu andavas cortando os cacos de vidro
Por um final desenhado de amarela.
O reluz que exploravas com ela
Tu congelavas em fatos e mitos.
Enquanto passava o tempo restrito
Em que desejavas o sabor de canela.
Tu pisavas em astros da janela:
No infinito de vidro;
Restrito de mitos;
Em busca da estrada onde sela.
Camila de Magalhães
Foto: Caio Amorim
Natureza
[Ver(de)melhada]
Descolore o mundo
[Vivo-Morto]
Ao seu redor.
[(Des)entegrada]
Transformando o tudo
[Preto-Branco]
Em um só.
Altereza
[(Deus)entegrada]
Industrializa o espaço
[Rubro-Preto]
Fusão em nó.
Nadareza
[(Des)figurada]
Vazializa o mundo
[Morto-Vivo]
Vácuo dó.
Camila de Magalhães
Foto: Caio Amorim

Mundo
Imundo de nós,
Trabalhadores de vida,
Metabolizamos o agora.
Agora
A hora dos sóis,
Fatos de conquistas,
Queimados no tempo.
Tempo
Vento do rosto,
Sentido da pele,
Toque do infinito.
Infinito
Mito de homem,
Aliviador,
Eternidade de vida.
Vida
Corrida passagem de nós,
Trabalhadores abstratos,
Buscamos um lugar ao sol.
Camila de Magalhães
Foto: Caio Amorim
Os olhos daquela mulher eram ternos, a mais sutil alegria que existia em um olhar feminino e materno. Seus olhos castanhos eram muito mais que entradas, e sim saídas de toda pureza de um ser. Sua íris, um arco-íris de cor refletido no espelho de uma vida de conquistas. Antes de ontem tudo era primavera em pleno inverno. Mas um feixe vermelho cortou sua ilusão. Muito mais que luz, a personalidade caqui quebrou sua imagem com cheiro de vodcka. A própria vermelha que recebia seus melhores sorrisos olhados. Ela virou assassina e matou toda a fantasia que havia naquele olhar feminino. Esse que hoje é vazio, a mais dureza de quem perdeu o sentido de acreditar. Os olhos castanhos mais bonitos que um dia destruí.
Camila de Magalhães

Começo a morrer de você. Seus braços se distanciam cada vez mais do meu abraço. E o mais estranho, também interessante, é que eu já não sinto a dor de lhe ver saindo afora. Como o cansaço da falta envolveu a minha mente seca o tempo levou o seu sorriso torto a se cristalizar, desbotar. Conforme todo o existente mais um ciclo anil se fecha deixando no ar as marcas dos desejos que nunca serão saciados, (des)figurados à arte de poeticar o nosso fim.
Camila de Magalhães
Às vezes a vida propõe caminhos concretos de opções paradoxas. E a melhor estrada a seguir é contra os próprios princípios e conceitos. Mas os humanos que se contentam em serem cuidados indicam a escolha da pseudo-alegria como fonte de sorrisos. Talvez eles estejam certos. Como também esse pode ser o motivo de eu continuar sozinha nesse mundo paralelo. Todavia ainda existe poesia demais em mim para aceitar essas condições sutis. Por isso insisto em viver essa surreal mentira fantasiada desses versos vad(z)ios.
Camila de Magalhães

Mais uma dose? Caipirinha de limão ou caninha de canela? Deixe de (des)obrigações, nós ainda vamos ficar muito tempo aqui . Essa MPB marcada e o calor de quem quer esquecer que existe formam o clichê perfeito da nossa mesa de bar. Não estamos sozinhos, mas estamos isolados desse mundo de quem quer se divertir. Nosso assunto vai além de palavras com cheiro de vodka barata e nossas mentes estão fixadas num ponto comum. Numa idéia fixa machadiana talvez. É por isso que estou aqui. Eu quero beber com você. Muito além do lirismo dos sóbrios e dos trêbados, nossa história vem do surreal espaço. E eu preciso saber se seus opostos atraem os meus versos vadios. Por isso insisto em lhe chamar até esse botequim. Mais uma dose, garçom! Para você fingir que não sabia o porquê de estar comigo.
Camila de Magalhães